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O tom da esperança



  
Música. Na acepção do dicionário, “arte e ciência de combinar sons de modo agradável ao ouvido”; mas,na prática, a música pode ter um sentido e uma função muito maior: a de transformar a realidade. É o quevem demonstrando a experiência da Fundação José Carvalho (FJC) com crianças de 10 a 14 anos, inseridos num contexto risco de social.
 
 
“É emocionante ver esses meninos - que chegam aqui sem saber o que é uma nota musical - tirarem som do instrumento, tocarem em pouco tempo.” A assessora pedagógica Rivanda Chagas, que coordena o projeto de musicalização promovido pela FJC, explica que o projeto tem o objetivo de afastar as crianças dos riscos da rua – como a violência, a droga, o álcool e aproximá-las de uma atividade positiva, “de uma arte extraordinária capaz de abrir novas perspectivas”.
 
 
O curso é ministrado pelos professores Miguel Lima e Francisco Lima para 80 crianças – todas oriundas de famílias de baixa renda. O professor Francisco diz que, em pouco mais de três meses do programa, já é possível detectar verdadeiros talentos no curso. “É claro que existe uma diversidade muito grande no grupo devido às diferenças de idade e, principalmente, de vivência musical. Mas o aproveitamento tem sido muito bom. Temos um grande número de alunos que já conseguem tocar, por partitura, Villa-Lobos e Bach”.
 
 
O curso abrange aulas teóricas e práticas. Na aula teórica, os alunos aprendem conceitos acerca do solfejo, da melodia, da musicografia (escrita da música), estética e história da música universal e brasileira. Nas aulas práticas, eles têm o contato direto com o instrumento e desenvolvem a técnica para tocar.
 
 
“Estamos trabalhando com toda a família da flauta doce – sopranino, contralto, soprano e tenor –, além do violão popular e erudito, e também com teclado e piano”, salienta o professor Francisco, lembrando que todos os alunos passaram por um cuidadoso processo de seleção que envolveu testes de capacitação motora, rítmica e percepção auditiva. “Em tese, todos eles podem vir a ser bons músicos, mas é claro que existem o dom, o talento de cada um, e principalmente, o interesse de cada um, os quais vão definir o futuro deles na música”.
 
 
Em dezembro deste ano, acontecerá a segunda etapa do programa de musicalização, mediante a qual, depois de uma série de testes, serão selecionados, aproximadamente, 15 integrantes para compor o grupo fixo de apresentações. Esses alunos vão participar também de um curso avançado de música.
 
 
 
Entusiasmado com a oportunidade, Danilo Salomão, de nove anos, conta que a admiração pelo avô foi o que o despertou para o gosto pela música. Apesar do interesse, ainda não havia tido a oportunidade de participar de um curso de música. “O que me fez participar do curso foi eu querer ser igual a meu avô, que também era professor de música; ele tocava sanfona”. Daniel diz que sempre teve vontade de aprender a tocar flauta, mas só sabia algumas notas aprendidas com um primo. “Foi uma sorte. Meu pai ouviu o anúncio sobre o curso, no carro de som; ele me falou, e meu irmão me inscreveu”.
 
 
Ao contrário de Daniel, Jacson Santos dos Santos, de onze anos, conta que não tinha a menor noção de música, quando chegou; – apenas o desejo de aprender e o fascínio pelo violão. “Quando eu cheguei aqui, eu não sabia tocar nada, mas sempre gostei muito de violão e agora estou tocando bem. O professor até falou que, quando eu crescer, posso ser um profissional”.
 
 
Rivanda Chagas explica que, além do desenvolvimento musical, o projeto visa também a incentivar e apoiar os alunos na escola. “Todos os meninos do projeto têm reforço de Português e Matemática. Nós trabalhamos as principais dificuldades que percebemos durante os testes de sondagem. Penso que o projeto de musicalização tem sido de grande importância para a nossa comunidade”, pontuou Rivanda.
 
 


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