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Escola Taylor Egídio: 10 anos de Educação Integral



Quem visita a Escola Rural Taylor Egídio (ERTE), em Jaguaquara, no região do Vale Jequiriçá (BA), certamente se depara com a presença marcante do simpático Chico Bento, do cartunista Maurício de Sousa. Das páginas dos gibis para as paredes da escola, a fgura do pequeno agricultor pode ser vista em toda parte - ora nos lembrando os Direitos da Criança e do Adolescente; ora mostrando aos meninos as boas práticas de Educação, Saúde, Cidadania e, até mesmo, de Higiene. A escolha do Chico como mascote da escola não foi por acaso. Ele representa, segundo a diretora, Sonilda Sampaio, os milhares de crianças da zona rural que, ao longo dos 10 anos de funcionamento da escola, “saíram de uma situação de invisibilidadesocial e passaram, através da educação, a ter o direito de sonhar mais alto, e realizar esses sonhos”.

 

 
“Daniela, por exemplo, que já terminou o segundo grau aqui na ERTE, agora persegue o ideal de fazer uma faculdade de Agronomia. Claro, a concorrência é enorme, mas nós estamos com ela”, explica a diretora.

 

 

Filha de agricultores, a ex-aluna Daniela Almeida dos Santos, 19, é uma das pioneiras; pertenceu à primeira turma de alunos da Escola Rural Taylor Egídio. Para Daniela, o fato de ter estudado nessa escola foi decisivo na sua escolha profissional. “Influenciou muito, bastante mesmo. Aprendi, praticamente, tudo aqui, porque eu já morava na zona rural; mas conheci aqui as bases da Agronomia e, assim, pude vislumbrar a possibilidade de me formar nessa área. Esse é meu sonho”. Daniela disse também que foi na ERTE que aprendeu a valorizar sua própria história, sua própria cultura. “Você nunca deve se esquecer da raiz, esquecer- se de onde você nasceu. Preciso mostrar que, mesmo em cidade pequena, no campo, a gente é alguém. A gente pode crescer, ter um ótimo futuro”.

 

 

A professora Vilmaci Dias explica que o respeito à cultura dos alunos é a base do trabalho da ERTE. E esse respeito começa pela compreensão de suas formas regionais de falar. “São crianças da zona rural, que têm um jeito de falar diferente, próprio, um jeito sertanejo. Nós valorizamos essas crianças como elas são – claro que ensinado gramática, mostrando que existe o dicionário, que existe uma forma padrão e culta de pronunciar as palavras. Fazemos isso sem criticá-las nem desconsiderar o jeito delas falarem”. Vilmaci explica que esse trabalho é conduzido, criteriosamente, pela diretora Sonilda, que é especialista em Linguística.

 

 
Para Sonilda, a convivência na escola é muito rica em aprendizagem – tanto

para os alunos quanto para os educadores. “Muitas das nossas crianças são carentes; para elas, a vida negou tudo. Negou, muitas vezes, uma família organizada no modelo convencional, alimentação, bens materiais. Mas esses excluídos – por mais que a sociedade tente não vê-los – têm nome, cor, sonhos e têm um saber que pouca gente sabe que eles têm. Eu aprendo muito com eles, todos os dias”, testemunhou.

 

 

“Lembro que Dr. José Carvalho usava bem essa expressão: uma imersão formal no processo educacional”, recorda a diretora. “O que estamos fazendo é justamente essa imersão – que não é só da criança, não é só do aluno, é de todos nós, aprendizes. Nós também estamos imersos nesse projeto, ensinando e aprendendo”.

 

 
 

FILHOS DA FUNDAÇÃO

 

 

Sonilda Sampaio diz que a ERTE é uma prova do sucesso da filosofia e do modelo de ensino aplicados. A escola foi criada nos moldes das escolas de alternância da Fundação José Carvalho, nos quais o aluno fica 30 dias morando na escola e 30 dias em casa. Quando uma turma está em casa, sendo acompanhada pelos professores itinerantes, a estrutura da escola dá espaço a outra turma de alunos.

 

 

“Costumo dizer que a ERTE é fi lha da Fundação. Nós fomos às escolas de Pojuca e Entre Rios, para saber como funcionava o ensino de alternância. Embora minha formação seja em Pedagogia, eu nunca tinha estudado pedagogia de alternância. A Fundação José Carvalho foi a matriz. E nós, aqui, nunca perdemos essa consciência. Em nosso site, está a referência à Fundação, em nosso livro, em tudo”. Professora Sonilda conta que, nos primeiros anos, representantes da Fundação iam, mensalmente, a Jaguaquara para acompanhar o processo de consolidação da Escola Rural Taylor Egídio.

 

 

Sonilda está confiante na continuidade da parceria. A presença da presidente da FJC, Professora Marilene Ferreira, nas comemorações dos 10 anos da escola selou esse compromisso. “Continuaremos a dar o mesmo apoio técnico e institucional à Escola Rural Taylor Egídio. O trabalho dessa escola enobrece o nome da Fundação José Carvalho e gratifica todos aqueles que fizeram parte dessa história”, argumentou a presidente.

 

 

DA ROÇA PARA O MUNDO

 

 

É com o conhecimento sobre o manejo do solo e do gado, aprendido na escola, que muitos ex-alunos garantem o sustento de suas famílias. É o que testemunha Paulo Miranda, técnico agrícola e administrador de formação. Ele é responsável pela parte prática do ensino agrícola na escola.

 

 

“Temos mais duas outras professoras, uma engenheira agrônoma e a outra, técnica agrícola. Elas trabalham a parte teórica, e eu fico com a prática. Temos aula, por exemplo, de horticultura, mostramos como preparar o solo, o tamanho das leiras, o espaço entre culturas, qual o período de produzir, enfim, o manejo”, explica o professor Paulo.

 

 

Muito do que as crianças aprendem em sala de aula é transferido, naturalmente, para as famílias. “Nós, por exemplo, oferecemos sementes para eles plantarem em casa. E, de vez quando, recebemos um bilhetinho dos pais: - professor, aquela semente que o senhor mandou é muito boa; se puder, mande mais”.

 

 

Miranda explica que um elemento fundamental nesse processo é o professor itinerante, que acompanha o desenvolvimento do aluno em casa. “Ele leva sementes, acompanha a assimilação dos assuntos trabalhados no período em que o aluno estava na escola”, explica.

 

 

Azenália dos Santos é uma dessas professoras itinerantes e nos fala um pouco de seu trabalho. “Fazemos a correção das tarefas e damos aula mesmo, pois o aluno, às vezes, não tem tempo de se dedicar aos deveres da escola porque está ajudando os pais no sustento da família”.

 

 

É através do trabalho dos professores itinerantes que a escola conhece mais sobre a realidade de seus alunos. “Muitos de nossos meninos moram em casas pequeninas. Às vezes, 18 pessoas em uma casa de dois quartos; barraco de lona, num tempo desse, quente, é desconfortável. Muitas vezes, não têm água perto. Diante dessa situação, pensamos: O que poderíamos fazer para ajudar? Temos que ser mesmo como o beija-fl or. Cada um fazendo a sua parte, então, conseguiremos”, conta emocionada.

 

 

Elielena Gomes, também professora itinerante, diz que, frequentemente, precisa andar quilômetros a pé para chegar à casa dos alunos, devido à dificuldade de acesso. “Mas todo sacrifício vale a pena quando vemos a oportunidade que esses jovens têm aqui na escola; oportunidade de mudar de vida e ampliar o horizonte”.

 

 

As palavras da professora Elielena podem ser constatadas, por exemplo, no laboratório de informática. As mesmas crianças que têm o contato com a terra, que plantam e colhem estão conectadas ao mundo através de um computador.

 

 

Bruna Souza nuca tinha visto um computador antes de chegar à ERTE. Agora, a informática se tornou um instrumento para aprendizagem e relacionamento. “Fazemos pesquisas, aprendemos coisas novas. É muito bom. Já pensou como seria se, quando saíssemos daqui , não soubéssemos usar o computador?”, indagou.

 

 
“Eles ficam encantados quando chega o horário de vir para o laboratório de informática,
porque aqui eles pesquisam, interagem, aprendem. Eles estão ligados ao mundo através da tecnologia”, explica a professora Vilmaci Dias.


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